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05 - 12 - 2017
Excesso de personagens (e de tramas) prejudica empatia do primeiro longa brasileiro com o selo Netflix
por Renato Hermsdorff
Cercado de expectativas, o primeiro longa brasileiro de ficção produzido pela Netflix poderia também ser a segunda série original do tipo da plataforma no país (depois de 3%). Baseado na história criada pelo roteirista e diretor Marcelo Galvão (Colegas), O Matador traz um sem número de subtramas e, principalmente, de personagens, aos quais fica difícil se apegar neste faroeste do sertão.

Há um protagonista (ou quatro), que virá a ser conhecido como Cabeleira (o ator português Diogo Morgado, num registro esquisitíssimo). Abandonado à sorte árida do mondo cane do sertão ainda quando bebê, ele é adotado, de forma meio torta, por aquele que sustenta a fama de "o matador dos matadores", Sete Orelhas (Deto Montenegro).

Depois que o pai some, o moço, praticamente um selvagem, parte em busca do paradeiro dele, e vai dar nas terras do todo-poderoso Monsieur Blanchard (Etienne Chicot), um francês carregado nas cores, o que destoa do tom, que assume o clichê do coronelismo. E Cabeleira acaba trabalhando para o vilão.


Esse, no entanto, é um resumo muito em linhas gerais, porque para dar conta de contar o caráter rocambolesco da trama seria algo que exigiria muito da paciência de quem aqui lê. Para se ter uma ideia, o longa já se apresenta com uma peculiaridade: não apenas um, mas dois créditos de abertura - com alguns nomes, inclusive, repetidos.

O primeiro, mais demorado, expõe a platéia a uma quantidade de atores (não deu para contar, mas chutaria mais de 20, entre eles Maria de Medeiros, subaproveitada; Igor Cotrim, um gay caricato, apesar do sadismo; e Daniela Galli, a melhor da turma), que suscita uma pergunta irresistível: como é possível dar espaço a tantos papéis? E a resposta que o filme mesmo dá é: não é possível. Sem poupar o espectador do ambiente violento, personagens vêm e vão (morrem mesmo) de um jeito que faria corar até os produtores de Game of Thrones (anunciada como uma das "estrelas", por exemplo, Thaila Ayala tem duas ou três cenas; creditada, Mel Lisboa não dura nem 10 segundos de tela).

Quando Sete Orelhas é apresentado como "o matador dos matadores", a reação imediata é "uau!". Até que se descobre que há um segundo "matador de matadores", um terceiro... e, assim, a obra advoga contra si própria. Por que, afinal, acreditar? O excesso de personagens (e de tramas) prejudica (e muito) a possibilidade de empatia nesse primeiro longa brasileiro com o selo Netflix.


A opção pelo "tiro pra todo lado" leva à impressão de que se trata de uma obra retalhada. Embora seja possível notar um componente de segurança a respeito de onde Marcelo Galvão quer chegar (e, mérito, ele chega), o fio condutor é confuso, que só. Ironicamente, quando o eixo muda da história do Cabeleira para a do oficial da lei Quatro Olhos (papel de Marat Descartes) - e depois para a do sertanejo "Tenente" vivido por Paulo Gorgulho -, alguém pergunta, em cena: "ué, mas e a história do cabeleira?"

Alguém, no caso, é um dos interlocutores que ouve a(s) história(s) de um "contador de causos" - sim, o filme (também) usa de um narrador, presente, no que desemboca para uma quarta (!) linha narrativa.

Tecnicamente, há um claro esforço, positivo, por parte de Galvão, de fugir do lugar comum, usando de planos filmados de cima para baixo ou investindo no contraluz da paisagem. Porém, o que é projetado soa às vezes inacabado, especificamente nas cenas de efeitos inseridas na pós-produção. Não foi dessa vez.
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