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Bastards Dublado

HD
23 - 01 - 2018
O que esperar de uma comédia que começa com piada de exame de próstata em pleno 2018? Então, Correndo Atrás de um Pai de engraçado não tem quase nada. Ed Helms e Owen Wilson interpretam irmãos gêmeos completamente diferentes que embarcam numa jornada em busca do pai. Eles cresceram achando que ele havia falecido, mas descobrem graças a um episódio de Law & Order: Special Victims Unit (ok, taí um bom gracejo) que era tudo mentira. Encurralada em pleno casamento, a mãe (Glenn Close) solta um nome e os dois pegam a estrada para conhecer o suposto pai, antigo astro da NFL (Terry Bradshaw interpretando ele mesmo). Obviamente ele não é realmente o genitor, do contrário seria um curta-metragem, e a dupla dinâmica passa a estrelar um road movie daqueles em que se aprende muita coisa, só que com avião como principal meio de transporte.

Ser uma comédia incapaz de provocar risos é certamente um grande problema, mas não o principal defeito do longa-metragem de Lawrence Sher, experiente diretor de fotografia (Se Beber, Não Case!, Godzilla: King of Monsters) que estreia na direção. O roteiro de Justin Malen (A Última Ressaca do Ano) é previsível toda vida, repleto de furos e decisões questionáveis, além de ter uma bizarra virada mística na reta final. O maior merecedor de elogios é Helms, que transmite bem, de forma contida, a enorme carência de Peter. Owen Wilson interpreta seu conhecido tipo malando praiano e Glenn Close não aparece o suficiente para elevar o nível da produção, o que é lamentável, outro papel pequeno irrelevante em sua carreira.


O filme se apoia em constrangimentos tipicamente masculinos, como guerra de urina, o temor do incesto e detalhados comentários sexuais envolvendo a mãe. Paternidade, sexo e dinheiro são os grandes interesses e sendo assim é bastante curioso como o filho de Peter (Helms) é totalmente negligenciado na trama. Se ele fosse uma menina seria faria mais fácil entender o desprezo.

Ao invés de buscar o diálogo com a figura materna, os irmãos preferem ir pulando de possível pai em possível pai seguindo nomes que surgem de forma incrivelmente fácil e endereços achados sem nenhuma dificuldade. Do tipo "soltei um apelido aqui na rua, alguém ouviu e por sorte conhece o cara!". No final de tudo surge de certa forma uma explicação para tamanha simplicidade, mas, sinceramente, colocar o universo no meio chega a ser ofensivo e mais duro do que o personagem de Helms sempre tendo que explicar seu sarcasmo.


Os protagonistas são gêmeos, mas poderiam não ser, pois essa característica especial não é explorada em momento algum. Ao invés de aprofundar o relacionamento dos dois ou a história da própria família, Correndo Atrás de um Pai prefere investir numa longa sequência em que um caroneiro é transportado amarrado no banco de trás do carro da dupla e quase morre por isso. Desnecessário dizer que é um personagem negro, não é? Tão engraçado quanto Corra!...

Em retrospectiva, o fratenal Correndo Atrás de um Pai parece mais um drama familiar, bem triste até, cujas fraquezas e preconceitos são expostos nos supostos momentos bem-humorados.
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